Anorexia: uma doença muitas vezes invisível e fatal

anorexia1Em um mundo preocupado com a epidemia da obesidade, algumas pessoas sofrem com o problema oposto, que as deixa magras demais: a anorexia nervosa, um distúrbio caracterizado por uma visão distorcida do próprio corpo. Diante desse quadro, a pessoa busca formas de perder peso mesmo estando em seu peso ideal ou até mesmo abaixo da taxa indicada. Assim, ela se torna excessivamente magra, mas permanece acreditando estar obesa. Para evitar o ganho de peso ou continuar emagrecendo, as pessoas afetadas pela anorexia costumam tomar medidas drásticas, muitas vezes colocando a própria saúde em risco.

Anorexia é um distúrbio com elevadíssima taxa de mortalidade, em torno dos 20%, sendo um índice que supera as mortes por câncer de mama. Estima-se que no Brasil bulimia e anorexia afetem 100.000 adolescentes dos quais 90% são do sexo feminino. Dentre as doenças psiquiátricas é considerada a maior causadora de mortes, considerada assim um problema crescente no Brasil e no mundo. Especialistas acreditam que entre 1% e 10% da população mundial sofra com o distúrbio. Ainda de acordo com eles, a prevalência dos chamados transtornos alimentares no sexo masculino ainda não está bem estabelecida e, segundo alguns autores da área, é subestimada, pois os homens continuam sendo excluídos de muitos estudos pelo baixo número de casos.

Como você pode ver, a anorexia é um problema crônico difícil de superar. Porém, com o tratamento as pessoas afetadas podem recuperar sua autoestima e o peso perdido, evitando as várias – e graves – complicações do quadro.

Quais os principais sinais da doença?

Os sintomas da doença estão relacionados à busca incessante pelo baixo peso e à desnutrição causada por ela, sintomas que nem sempre são fáceis de serem detectados. Muitas pessoas afetadas pelo problema conseguem passar muitos meses – ou até mesmo anos – sem que ninguém  ao redor, família, colegas de trabalho e amigos, perceba o que está acontecendo. Por isso é importante reconhecer os principais sinais associados à doença e ficar atento às pessoas suspeitas ou em risco de desenvolver o problema.

Os principais sinais incluem:

  • Aparência excessivamente magra, algumas vezes esquelética
  • Anemia
  • Cansaço fácil
  • Vertigens
  • Unhas opacas
  • Cabelos fracos, finos, quebradiços
  • Falta de menstruação
  • Constipação intestinal
  • Ressecamento da pele
  • Baixa tolerância ao frio
  • Batimentos cardíacos fora do ritmo
  • Pressão arterial muito baixa
  • Desidratação
  • Osteoporose

Algumas alterações emocionais e do comportamento que também costumam estar relacionadas à anorexia nervosa:

  • A pessoa se recusa a comer, nega que está com fome;
  • Passa a usar roupas folgadas (para disfarçar a própria magreza);
  • Se examina no espelho e se pesa repetidas vezes, sempre demonstrando preocupação excessiva com o peso;
  • Algumas podem fazer exercícios em excesso;
  • Humor desanimado, não reage à alegria ou à tristeza;
  • Dificuldade de concentração;
  • Preocupação constante com a comida, adotando rituais estranhos nas refeições (ex.: corta a comida sempre em pedaços muito pequenos, cospe parte do que colocou na boca após mastigar, faz questão de pesar item por item do que colocou no prato, etc.).

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O que causa a anorexia nervosa?

A anorexia costuma se iniciar ainda na adolescência, mas também pode afetar crianças, pessoas na meia-idade ou além. Um estudo apresentado  recentemente no 9º Congresso Nacional de Organizações de Idosos da Espanha diz que o índice de mulheres europeias com mais de 60 anos com anorexia passou de 1,8% a 5% nos últimos 10 anos. Ainda não se sabe exatamente o que leva algumas pessoas a desenvolver anorexia, mas assim como ocorre com outras doenças, é provável que exista uma combinação de vários fatores (psicológicos, biológicos e sócio-culturais).

Um exemplo: mulheres jovens com uma irmã ou mãe sofrendo distúrbios alimentares possuem um maior risco, sugerindo um possível fator genético para o problema. Pessoas com anorexia também possuem certas características emocionais e psicológicas que contribuem para o desenvolvimento da doença. Ex.: baixa autoestima, personalidade obsessiva-compulsiva, distúrbios da ansiedade, perfeccionismo, etc.

Quais os fatores de risco para a doença?

Certas situações estão associadas a um risco maior para o desenvolvimento de anorexia. As principais incluem:

  • Dieta: pessoas que estão perdendo peso são elogiadas pelos amigos sobre como estão ficando mais bonitas com o emagrecimento. Em extremos, isto pode levar a pessoa a perder peso em excesso.
  • Ganho de peso: ao ganhar peso, a pessoa pode ser criticada ou ridicularizada. Como resposta, ela acaba desencadeando um processo de anorexia.
  • Puberdade: os adolescentes enfrentam muitas dificuldades adaptando-se a todas as mudanças que ocorrem neste período. A sensibilidade à flor da pele, as críticas e cobranças, o peso das novas responsabilidades e outros fatores de cunho emocional podem levar o adolescente à anorexia.
  • Mudanças: para uma nova escola, casa ou emprego, o término de uma relação amorosa, a morte ou a doença de um ente querido e outras situações podem causar estresse emocional e resultar na anorexia.
  • Mídia: a televisão e as revistas de moda freqüentemente supervalorizam a magreza como uma forma de padrão estético. Infelizmente, é difícil determinar até que ponto a mídia reflete ou cria valores presentes na sociedade. Em todo caso, a exposição a estas imagens pode levar meninas e jovens mulheres a acreditar que, quanto mais magras, mais sucesso e popularidade terão.

Quando procurar ajuda do médico?

É importante ter em mente que a anorexia pode ser fatal. De acordo com dados do Ministério da Saúde o índice de mortalidade atinge entre 15% e 20% dos casos. A desnutrição progressiva coloca o individuo afetado à mercê de uma infinidade de doenças. Toda e qualquer pessoa com suspeita de anorexia deve ser levada para avaliação médica o quanto antes. A doença também causa danos severos à saúde mental, por isso não é apenas o corpo que deve ser atendido imediatamente: o paciente deve ser analisado também quanto ao seu bem estar emocional e mental.

anorexia2Como é feito o tratamento?

O tratamento depende da avaliação do risco de morte. Pessoas muito desnutridas devem ser levadas a um pronto-socorro para internação, hidratação endovenosa e outras medidas de suporte de urgência. Nos casos sem risco imediato, o tratamento é feito com a ajuda de médicos, psicólogos e nutricionistas especializados no tratamento de distúrbios da alimentação. Existem também clinicas que oferecem atendimento especializado para pacientes sofrendo de distúrbios alimentares. Não existe uma medicação única para tratamento da anorexia nervosa. Porém, alguns médicos podem prescrever o uso de antidepressivos e outras medicações psiquiátricas que ajudem a aliviar a depressão e a ansiedade.

Um dos maiores desafios ao tratar a anorexia é o fato da pessoa não aceitar o tratamento ou não enxergar sua necessidade. Muitas pessoas que sofrem com a doença dizem que ela é um “estilo de vida”, e não consideram a má-alimentação um problema de saúde. Até mesmo para aqueles que desejam o tratamento, a anorexia é uma batalha difícil e pode durar toda a vida. Os sintomas podem desaparecer, mas a pessoa afetada permanecerá vulnerável e poderá sofrer recorrências da doença nos períodos de maior estresse.

“Rata” de livraria, jornalista (escritora um dia, quem sabe?) e catálogo de música ambulante. Adora sorvete, cachorros e viajar. Mais do que isso, adora conhecer pessoas e suas histórias e fazer amigos.