Como fazer vários bichos conviverem em casa?

Um jardim zoológico doméstico? Por que não? Mas para ter muitos bichos de estimação é preciso ser superorganizado.

Incentive o convívio de seus animais de estimação quando ainda forem bem jovens (cerca de 3 meses). Assim, aprenderão a dividir o território. Mande castrá-los para que fiquem menos dominantes, tanto com os da mesma espécie quanto com os de outras. Há uma grande probabilidade de que cães, gatos e furões se deem bem.

Evite misturar coelhos, hamsters, porquinhos-da-índia e furões. Cada espécie precisa de gaiola própria.

Roedores adoram rolar na areia para limpar o pelo. Coloque areia apropriada na gaiola das chinchilas no fim do dia, para as horas mais ativas.

Apresente aos poucos os bichos recém-chegados aos demais animais de estimação que já pertencem à família. Às vezes é preciso uma semana para cada bichinho se acostumar. Nos primeiros dias, mantenha o novato separado.

Reserve territórios diferentes. Alguns bichos, principalmente os gatos, gostam de se isolar para dormir ou observar os outros. Do mesmo modo, roedores como hamsters e chinchilas são mais ativos à noite. Para não incomodá-los durante o dia, mantenha suas gaiolas separadas.

Marque as consultas ao veterinário juntas. Para evitar a transmissão de doenças e parasitas, vacine os animais na mesma época. Administre vermicida e faça o tratamento antipulgas regularmente.

Para manter a paz, dê a cada um o seu próprio prato. Para evitar que os cães comam a ração dos gatos, ponha a vasilha do felino no alto.

Cuidados com as cordas vocais

cuidados com as cordas vocaisNo Dia Nacional da Voz (16/4), vamos comemorá-lo conhecendo melhor os cuidados com as cordas vocais que todos precisamos ter para garantir sua boa saúde até o fim da vida.

De acordo com a fonoaudióloga Gigiane Gimbre, do Hospital Conceição, vinculado ao Ministério da Saúde, “Cuidar da voz é uma questão de condicionamento físico. Ela precisa estar forte para aguentar as variações do dia a dia. Falar sem esforço, articular bem as palavras, beber bastante água, fazer repouso vocal, evitar pigarrear, sussurrar ou gritar, manter boa postura corporal ao falar são algumas das principais recomendações”, orienta.

A fonoaudióloga falou a Érica Santos para o blog do Ministério da Saúde, cuja reportagem reproduzimos aqui e na qual ressaltou que determinados alimentos exercem influência direta ou indireta sobre a produção da voz e da fala. A especialista cita como exemplos água, maçã, mel, bebidas quentes, limão e soro. “Dê preferência a alimentos como a maçã, por dois motivos: sua consistência mais dura exige mais da mastigação, massageando assim os articuladores; além de possuir propriedade adstringente, o que ajuda a reduzir saliva espessa da boca e faringe. As frutas cítricas como o abacaxi, limão e laranja aumentam a salivação e com isso um maior número de deglutições, que acarretam um relaxamento na musculatura da garganta. Já os chás de frutas e as bebidas isotônicas também podem ser considerados preferenciais, pois ajudam na reposição de perdas minerais”, explica.

A fonoaudióloga alerta sobre os principais vilões da saúde vocal. “O cigarro é altamente nocivo. Quando a fumaça é tragada, por conta do calor, agride todo sistema respiratório, principalmente as pregas vocais. O excesso de bebida alcoólica também é prejudicial, porque diminui a sensibilidade. Como não conseguimos controlar o esforço que utilizamos ao falar, podemos exagerar, causando um grande desgaste nas cordas vocais”, acrescenta. “Podendo causar irritação, edema, tosse, pigarro, aumento de secreções e infecções”, diz.

Além disso, a fonoaudióloga recomenda exercícios de aquecimento e desaquecimento vocal orientado para ter uma voz mais saudável e evitar problemas futuros.

Curiosidades sobre a saúde da voz - O grito prejudica a saúde vocal? “Sim. Não grite, não sussurre, não fale em excesso. Usar a voz em tom mais alto ou mais baixo que o habitual necessita um esforço maior, que pode provocar a formação de nódulos. Por isso, fale normalmente”, alerta Gigiane Gimbre.

Café em excesso diminui a hidratação das pregas vocais? “Sim. O café faz com que a pessoa produza maior secreção no cordão vocal e comece a pigarrar. Normalmente está associado ao consumo de cigarro.”

O bocejo ajuda no relaxamento das pregas vocais? “Sim. Esse relaxamento facilita a voz e ajuda a diminuir as tensões. Existe uma série de exercícios para relaxamento. Procure sempre um profissional.”

O ato de pigarrear gera um alto impacto das pregas vocais? “Sim. O pigarrar pode ocasionar futuras lesões. É importante saber a causa deste pigarro. O excesso de muco na laringe pode ser decorrente do fumo, alergias respiratórias e desidratação. A produção demasiada desse muco é a defesa do organismo diante desses quadros irritativos. Não pigarre e beba bastante água”, finaliza.

Nos quadros mais agudos, consulte um especialista.

Vamos falar de bullying

bullying2Nunca se falou tanto de bullying. Alguns meses atrás, a escola dos meus filhos convidou a psicóloga Maria Tereza Maldonado a ir lá dar uma palestra sobre o assunto. Fiquei curiosa, pois já conhecia o trabalho da Maria Tereza com terapia familiar e já tinha lido alguns livros dela (todos fantásticos), mas não sabia que vinha se especializando nessa questão; portanto, fui à palestra. Valeu muito a pena. Ela explicou (e tirou todas as dúvidas dos pais sobre) o que pode ser considerado bullying e deu dicas do que se deve fazer para combatê-lo. Hoje, pesquisando o assunto na Internet para um artigo, achei um vídeo dela no YouTube que resume o que aprendi na palestra. E achei muito importante compartilhar isso com vocês. Aproveitem e compartilhem. Vamos falar de bullying!

 

Nutrição infantil

nutricao infantilCasos de nutrição infantil nada saudável combinada à falta de exercícios físicos poderão ser os responsáveis pela redução da longevidade na geração atual de crianças brasileiras.

Se você é daqueles que leva chocolates ou doces para os filhos após um dia de trabalho (talvez como forma de compensação, seja esse um ato consciente ou não), saiba que está colocando a criança em risco de se tornar obesa. E com a obesidade vem o aumento da chance de ela apresentar sérios problemas de saúde.

De acordo com um estudo europeu recente, crianças acima de peso têm probabilidade nove vezes maior de desenvolver hipertensão arterial, quatro vezes maior de contrair diabetes do tipo 2 e doenças cardiovasculares, além de um risco maior de ter câncer. E mais: se não for controlada, a obesidade poderá representar uma redução de cinco a treze anos na longevidade.

Além das questões de saúde de corpo, os gordinhos ainda enfrentam outras adversidades, como problemas psicológicos decorrentes de discriminação e do desenvolvimento de uma autoimagem negativa. Estatisticamente, os obesos são mais propensos a não completar a segunda etapa do ensino fundamental e a sofrer maior discriminação no trabalho na fase adulta.

Os pais e a família estarão sempre na linha de frente na batalha contra a obesidade, pois são eles que têm a obrigação de controlar a alimentação dos pequenos e de garantir que pratiquem exercícios físicos. Mas a escola também deve fazer sua parte, oferecendo alimentos saudáveis na hora da merenda.

Ao adotar pequenas mudanças nutricionais e no estilo de vida da criança, você criará um adulto mais saudável – e muito mais feliz.

Pense nisso.

E, ao chegar em casa do trabalho hoje, dê um abraço bem forte e demorado no seu filho, um beijo bem gostoso, vários minutos de atenção plena e irrestrita, e diga que seu amor por ele é maior que o universo, o infinito e o além.

Garanto que os efeitos serão muito mais compensadores que o do chocolate.

(Para ele e para você…)

 

Como se proteger dos ladrões

como se tornar a prova de ladroes

Se você ainda não leu a edição de março da revista Seleções, você PRECISA ler o artigo de capa “Como se tornar à prova de ladrões”. Nele o jornalista Dirley Fernandes reuniu dicas importantíssimas, que compilou a partir de entrevistas com especialistas em segurança, para manter você a salvo de assaltantes, batedores de carteira e até ladrões de bicicleta! A edição de março ainda está nas bancas, cheia de artigos que você PRECISA ler. Não acredita? Pois vou dar aqui uma “palhinha” do que espera por você no artigo sobre como se proteger dos ladrões. Assim que acabar de ler essas dicas, sei que você irá correndo até a banca mais próxima comprar seu exemplar (corra mesmo, porque daqui a pouco o mês acaba!). Depois só quero que você me conte se não valeu muito a pena :)

 

Como se tornar à prova de ladrões
por Dirley Fernandes

Depois de alguns anos em que as estatísticas mostraram avanços na luta contra a criminalidade, os dados de 2013 deixaram patente uma reação dos bandidos, que se voltam cada vez mais para os roubos e furtos. Em São Paulo, os registros desses delitos vêm crescendo sem pausa: em 2013, foram 90 mil casos a mais do que cinco anos atrás. No Rio de Janeiro, na comparação entre outubro de 2012 e esse mesmo mês de 2013, o número de crimes contra o patrimônio subiu 26%. É hora de rever suas posturas para evitar fazer parte dessas estatísticas.

Seja mais esperto que os bandidos

  • Em outubro de 2012 foram registrados 208 roubos de telefones celulares no Rio de Janeiro. Um ano depois, o número aumentou para 344. Já São Paulo viu episódios como o dos 200 celulares surrupiados por um bando durante um festival de rock. Os crimes são praticados tanto por quadrilhas especializadas quanto por oportunistas que se aproveitam da desatenção de quem anda pela rua ou atende uma ligação no ônibus. Vinícius Cavalcante, diretor da Associação Brasileira de Profissionais de Segurança, frisa que o ideal é não atender o telefone na rua e retornar a ligação quando possível. Mas, caso o telefonema seja realmente urgente, o mais importante é guarnecer a retaguarda, ficando de costas para uma parede ou uma vitrine, por exemplo. “Os ladrões costumam atacar pelas costas, para evitar qualquer reação que torne mais difícil puxar os aparelhos. Então, manter as costas protegidas já impede essa ação.”
  • Se é impossível evitar totalmente a ação dos ladrões, há várias formas de dificultar a vida deles. Espalhar os pertences é a principal. “No assalto, a abordagem precisa ser rápida. O ladrão não vai ter tempo de vasculhar todos os seus bolsos”, diz Cavalcante.
  • Seja criativo. Nenhum lugar é ruim para guardar o dinheiro quando você sai na rua. Uma empresa de segurança, por exemplo, ofereceu a seus clientes, como brinde de Natal, uma “carteira de tornozelo”. Bolsos internos costurados nas roupas também podem evitar prejuízos.
  • Não chamar a atenção para si pode não ser o objetivo mais desejado de muita gente, mas, sem dúvida, é a atitude mais segura. Se você vai, por exemplo, a uma região carente da periferia, procure, dentro do bom senso, não se destacar tanto do conjunto. “A lógica é a mesma da pessoa de terno em um domingo de sol no Parque do Ibirapuera. De imediato, irá receber os olhares. A roupa adequada ao local ajuda a ser mais discreto e passar despercebido para os possíveis ‘observadores’, que podem estar em todos os lugares”, diz Jair Barbosa, consultor e professor de cursos universitários de Gestão de Segurança Privada.
  • A dica mais importante: esteja alerta todo o tempo. “Não é preciso viver em estado de neurose, apenas se conscientizar de que, ao sair à rua, é necessário não se abstrair do que acontece à sua volta”, diz Cavalcante. O especialista diz que não existe uma “cara de ladrão”. “Se alguém olhar para você com uma expressão suspeita, revelando tensão, pode estar mal-intencionado, independentemente da aparência.”
  • Por outro lado, a epidemia de crack tem levado ao aumento das abordagens por parte de adolescentes dependentes. Essas ações têm a marca do improviso, com armas como pedras ou cacos de vidro. “Se você perceber a aproximação a tempo, uma mudança de atitude, de direção, de velocidade, pode levar o sujeito a relutar e se virar para outro alvo. O importante é não se deixar surpreender”, diz Cavalcante.
  • Se você precisar de caixas eletrônicos, evite os dos shopping centers na tarde de sábado, ou outro local que favoreça a aglomeração de muita gente, que facilita a ação dos ladrões de senhas. Antes de começar a digitar seus dados, observe em volta. Geralmente, esses criminosos agem em dupla. O que importa não é a aparência, mas a postura das pessoas que estão na fila. Olhares nervosos, posicionamentos ligeiramente fora da linha… E não oculte apenas o teclado; preocupe-se também com a tela, que exibe dados interessantes para os bandidos, como o seu saldo.
  • “Na esteira do combate mais efetivo ao tráfico de drogas em várias capitais, os criminosos estão procurando novas modalidades de crime”, adverte João Palhuca, vice-presidente executivo do Sesvesp (Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Estado de São Paulo). Os bares e restaurantes, por exemplo, têm sido um campo fértil para esses delinquentes, que praticam tanto arrastões quanto furtos oportunistas de bolsas. “Procure as casas que tenham boa iluminação e câmeras espalhadas. São fatores que desestimulam o ladrão”, diz o especialista, para quem é ultrapassado o conceito de que uma segurança mais ostensiva dos estabelecimentos espanta clientes.

No artigo completo, você encontrará as dicas dos especialistas para proteger também sua casa e sua bicicleta.

 

Um novo modelo de ensino

Khan AcademyUm novo modelo de ensino vem sendo desenvolvido desde 2004, quando a prima do matemático Salman Khan precisou de ajuda para entender melhor a matéria. De lá para cá, o que começou como uma aula particular em família se transformou numa plataforma completa e inovadora de ensino da matemática. Nós publicamos um artigo completo sobre a Khan Academy na edição de fevereiro de 2014 da revista Seleções, mas se você que perdeu essa edição, aqui vai mais uma chance de conhecer essa ferramenta fantástica de aprendizagem.

 

Khan Academy
Salman Khan está usando a Internet para aumentar o acesso à educação com um vídeo gratuito de cada vez.
Por Pip Cummings

A toda pelo Vale do Silício, rumo a Los Altos, o motorista do táxi aponta a sede de todas as grandes empresas de tecnologia de que já ouvi falar.“Lá está a Microsoft. A Intel. Ali atrás fica o Yahoo…”, diz ele.

Meu destino é Mountain View, lar da Khan Academy, instituição minúscula e sem fins lucrativos. Palavras como “revolucionária” e frases como “que vai mudar o mundo” são usadas para descrever essa iniciativa, cujo núcleo é o site que exibe aulas gratuitas em vídeo e oferece exercícios interativos. Além de dar ao seu fundador, Salman Khan, um lugar na lista das cem pessoas mais influentes de 2012 da revista Time, esse centro de ensino virtual sediado na Califórnia recebeu apoio de grandes nomes, como Bill Gates. “Sal Khan é um pioneiro”, disse à revista o fundador da Microsoft. “[Seu] impacto sobre a educação pode ser verdadeiramente incalculável.”

O mundo começa a prestar atenção nele: o vídeo da palestra de 20 minutos de Khan na conferência da fundação TED (sigla de Tecnologia, Entretenimento, Design), intitulado “Vamos usar vídeo para reinventar a educação”, já foi visto por mais de 3 milhões de pessoas.

A semente da Khan Academy foi plantada em 2004, quando Khan ajudava a prima Nadia, 12 anos, com seus deveres de matemática. Khan, na época analista de fundos hedge, havia se formado em matemática (além de informática e engenharia elétrica) no Massachusetts Institute of Technology (MIT), e depois fez mestrado em informática e engenharia elétrica na mesma instituição, além de um MBA em Harvard. Como morava em Boston e Nadia, em Nova Orleans, Khan usou a função Doodle do Yahoo! Messenger a fim de ilustrar conceitos para Nadia enquanto falavam ao telefone. Também codificou um programa que gerava exercícios que ela poderia resolver pela Internet.

Quando viram que a irmã Nadia estava melhorando nos estudos, Arman e Ali pediram ajuda a Khan. Os amigos seguiram o exemplo até que ficou difícil dar aulas individuais às crianças. Um amigo sugeriu a Khan que criasse vídeos e os colocasse no YouTube. No começo, ele resistiu, convencido de que o YouTube era para “gatos tocando piano”, mas publicou o primeiro vídeo no fim de 2006.

Agora no Vale do Silício, Khan converteu um cômodo da sua casa num miniescritório. Como trabalha no horário da costa leste e, portanto, tem a tarde livre, ele continuou a desenvolver programas e ferramentas analíticas relacionados às aulas em vídeo, como uma plataforma que acompanha o progresso de cada aluno, mostrando os módulos que já terminaram, como foi o desempenho nos exercícios, a que vídeos assistiram e quanto tempo passaram vendo cada aula. O aluno marcado em verde vai bem; as barras amarelas indicam que um módulo está incompleto; o vermelho mostra que o aluno tem dificuldades. Os alunos podem acompanhar o próprio progresso e dominar um tópico antes de passar para os próximos, de acordo com os “mapas do conhecimento”.

Cinco anos depois, Khan largou o fundo hedge e se dedicou em horário integral a desenvolver os recursos da Khan Academy. Embora tenha tido um começo modesto, desde o princípio a visão de Khan era ampla. Quando preenchia a papelada do imposto de renda em 2007, pediram-lhe que detalhasse a declaração de missão da sua empresa sem fins lucrativos. “Eu poderia ter escrito: ‘Quero fazer um repositório de vídeos e exercícios gratuitos na Internet.’ Mas missão é algo que a gente busca”, diz ele. “Então, escrevi: ‘Educação gratuita do mais alto nível para qualquer um, em qualquer lugar.’”

Khan explica: “Queríamos uma declaração de missão que nunca nos permitisse dizer: ‘Acabamos.’”

A crescente equipe da Khan inclui várias pessoas que deixaram empregos de altos salários, como Shantanu Sinha, antigo rival de matemática no curso secundário e colega de quarto de Khan na faculdade, no papel de presidente e diretor-executivo, e Sundar Subbarayan, diretor de implementação escolar. “Em geral, quando alguém vai para uma empresa iniciante, a promessa é de riqueza, mas aqui a promessa é criar um impacto capaz de mudar o mundo”, diz Subbarayan.

Aspirar a um objetivo educacional tão elevado não parecia ser a sina de Salman Khan. Ele nasceu em Nova Orleans; o casamento do pai nascido em Bangladesh com a mãe indiana foi arranjado. Ele já brincou que os atrativos da Louisiana para a sua família eram óbvios: “Havia comida apimentada, umidade, baratas gigantescas e um governo corrupto”, assim como na pátria do casal no sul da Ásia.

Ele foi criado apenas pela mãe e frequentou escolas públicas, nas quais descobriu o talento para a matemática. “No secundário, o aluno que quisesse ser realmente bom e competitivo, que quisesse tirar sempre a nota máxima e ser o melhor da classe, tinha de se dedicar com um pouco mais de seriedade, e foi o que eu fiz”, diz ele.

Khan é muito inteligente, mas também muito engraçado, autodepreciativo e atento. Tem a imaginação ilimitada dos cientistas da computação misturada à precisão dos matemáticos e a adorável esquisitice dos dois. Sua generosidade e autoconfiança são transmitidas pelos vídeos que faz – até hoje, mais de 5.500 – e que mantém deliberadamente simples. Ouvimos apenas a sua voz enquanto ele faz os diagramas passo a passo no quadro-negro eletrônico, como se fosse um amigo sentado ao nosso lado. O site dispõe do currículo completo de matemática, refletindo a sua origem e especialidade, mas também oferece vídeos nas áreas de ciências, informática, finanças, economia e ciências humanas.

Khan escreveu um livro sobre a visão que tem da educação: Um mundo, uma escola – a educação reinventada. Ele descreve o que pensa do futuro da educação, com o aprendizado no ritmo do próprio aluno e a ideia da “sala de aula invertida”, na qual os alunos aprendem os conceitos pela Internet fora da escola e fazem o “dever de casa” em sala de aula. Ele também questiona ortodoxias ocidentais, como o número de anos que se deve frequentar a escola, a idade de começar e por que achamos sensato passar para outro tópico de estudo sem que haja o domínio do anterior.

De acordo com Khan, “é errado achar que esse projeto pretende substituir os professores”. Ele explica: “Os professores serão muito mais valiosos no futuro, porque [a sala de aula] será um lugar mais interativo e eles terão de fazer o que os computadores não fazem, ou seja, formar vínculos, motivar, orientar, diagnosticar”.

“Quem percebe que esse é um auxílio fantástico para os professores em sala de aula entende nosso objetivo”, concorda Subbarayan. “O aprendizado é centrado no aluno, e assim [...] o professor pode ser mais um guia e orquestrador dos alunos no aprendizado. [...] O valor do professor aumenta.”

É tarde da noite quando deixo Los Altos. Após dez minutos de silêncio mutualmente agradável, de repente o motorista do táxi anuncia que estamos passando pelo Centro de Pesquisa da Nasa.

Numa comunidade rica em inovações, a exploração de outros planetas parece ter capturado o interesse dos moradores. Isso me faz lembrar das estantes do escritório de Khan, cheias de livros de ficção científica como os de Isaac Asimov e Ursula Le Guin.

“Assim como a informática, a ficção científica também está ausente do sistema escolar”, diz ele. “No entanto, ela é muito importante, porque trata de sonhos. Adoro os romances vitorianos, o modo como transmitem as nuances da condição humana. Mas também é preciso sonhar, e isso, no momento, está faltando entre nós.”

 

A Khan Academy em português
A adoção da ferramenta pelo Brasil
Por Renata Pettengill

Este ano, estudantes e professores brasileiros passaram a poder contar com mais esse aliado no ensino da matemática.

A plataforma da Khan Academy está sendo gradativamente traduzida para o português, e a versão beta já pode ser acessada desde 20 de janeiro pelo site pt.khanacademy.org.

No momento há cerca de mil vídeos e 100 mil exercícios disponíveis na nossa língua.

A chegada desse conteúdo ao Brasil é resultado da parceira entre a Fundação Lemann e a Khan Academy, com o apoio do Instituto Península, o Instituto Natura, a Fundação Telefônica e ISMART.

Como na plataforma original, o login pode ser feito tanto pelo Gmail quanto pelo Facebook.

Em seu primeiro acesso, os estudantes fazem um pré-teste, que identifica as habilidades que eles já dominam e seu nível de proficiência. A partir dos resultados do pré-teste, a plataforma recomenda, de forma personalizada, os próximos exercícios e conteúdos que deverão ser trabalhados. Os estudantes só avançam para uma nova habilidade quando já estão proficientes em determinado conteúdo.

Para cada atividade há medalhas que podem ser conquistadas, colecionadas e até compartilhadas pelo Facebook, fazendo da plataforma uma atividade lúdica, pois possui uma estrutura similar à de um videogame, e ao mesmo tempo antenada com a tendência cada vez mais popular de compartilhamento nas redes sociais.

Além de traduzir as videoaulas e a plataforma de exercícios para o português, a Fundação Lemann e seus parceiros vêm trabalhando desde 2012 para levar a Khan Academy para escolas públicas brasileiras.

Hoje já são mais de 10 mil alunos nas cidades de São Caetano, Santo André, Lençóis Paulista e São Paulo (SP), Rolândia (PR) e Sobral (CE) participando do projeto e incorporando o uso da plataforma, os vídeos e os exercícios em suas aulas de matemática.

Das 44 escolas participantes, 17 recebem um acompanhamento semanal dos monitores do projeto, feito diretamente com os professores. As outras 27 são supervisionadas mensalmente junto ao coordenador pedagógico.

O retorno informal obtido até agora do trabalho feito nestas escolas segundo a Fundação Lemann indica que, com o programa da Khan Academy, em que cada estudante aprende no seu ritmo, os alunos ficam mais motivados e mais concentrados.

O grupo está trabalhando numa avaliação formal que determine as diferenças no desempenho desses alunos, em comparação com o aprendizado através do método tradicional, mas os resultados só serão conhecidos daqui a alguns anos, quando forem reunidos dados suficientes para embasar essa análise.

A meta do grupo é alcançar 50 mil alunos em 2014. Escolas interessadas em participar devem escrever para ka@fundacaolemann.org.br.

Para receber a Khan Academy, as escolas precisam ter Internet banda larga e computadores para as aulas. Todos os professores e gestores escolares que participam do projeto recebem um treinamento formal.

No entanto, o cadastramento das escolas só será necessário se a instituição desejar ser supervisionada e acompanhada de perto pela Fundação Lemann.

Isso porque, com a disponibilização da plataforma pela Internet, a formação de professores, que antes ficava restrita ao corpo docente das escolas que participam do projeto, também passará a ser oferecida, ainda em 2014, a qualquer pessoa que deseje ser um tutor do método.

De acordo com a Fundação Lemann, a formação acontecerá em cidades de todo o Brasil (datas e locais a serem definidos) e eles esperam capacitar, só em 2014, pelo menos 1.200 pessoas.

Nessa formação a pessoa aprenderá como a ferramenta funciona, e poderá cadastrar seus alunos e acompanhar individualmente a sua turma.

A filosofia por trás da decisão de estender o treinamento para o público é a de que qualquer um pode ser tutor de qualquer pessoa.

Um voluntário numa ONG, por exemplo, que acredite que os alunos que frequentam o espaço no contra-turno deveriam receber um reforço em matemática, poderá participar da formação.

Um estudante de engenharia que seja muito bom nessa matéria e que tenha amigos que precisem de ajuda para passar em Cálculo, por exemplo, poderia virar tutor deles.

O método é tão intuitivo e segue uma lógica tão linear, que até pais que queiram acompanhar o aprendizado dos filhos são bons candidatos a participar dessa formação.

O Brasil já tem tradição na conquista de medalhas na Olimpíada Internacional de Matemática – se a moda da Khan Academy pega por aqui então, só vai ter brasileiro no pódio.

 

Videogames na sala de aula

Por que as crianças pulam as refeições para continuar a jogar videogame, mas sempre têm algo melhor a fazer na hora do dever de casa?

Os videogames são muito atraentes porque as crianças usam a experiência dos erros para melhorar e progredir. Quando conseguem terminar um nível, recebem um jorro de dopamina (a substância neuroquímica que faz os viciados em jogo não conseguirem parar) e se sentem estimuladas a tentar o próximo desafio, porque o cérebro deseja mais uma dose do prazer induzido pela dopamina.

A neurologista Judy Willis está tentando aplicar esses princípios ao ensino em sala de aula. “O cérebro das crianças ainda não tem função executiva; elas precisam de gratificação imediata, não estão preparadas para buscar objetivos de longo prazo. Assim, precisamos trabalhar com a resposta da dopamina”, explica ela.

Enquanto os métodos convencionais deixam as crianças entediadas, Judy desco-briu que levar as crianças a se interessar pelo que estão aprendendo, a sempre traba-lhar num nível adequado de desafio e lhes dar avaliações ou gratificação instantâneas faz com que queiram continuar jogando… isto é, estudando.

 

INSTRUA-SE

Perdeu alguma matéria na escola? Quer aprender coisas novas? A Internet está levando a educação a todos, e é possível aprender gratuitamente com os melhores educadores das universidades de maior prestígio no mundo. Em alguns casos, você não receberá um diploma, mas sua mente se expandirá. Eis algumas formas de ter acesso a esse tipo de formação:

Khan Academy
khanacademy.org
Biblioteca com mais de 5.500 vídeos educativos, vistos mais de 347 milhões de vezes.

Khan Academy em português
pt.khanacademy.org
Possui mais de mil  vídeos e 100 mil exercícios em português.

Palestras TED
ted.com
Vídeos de mais de 1.600 palestras dos maiores pensadores do mundo.

Palestras TED em português
ted.com/translate/languages/pt-br
As palestras traduzidas por voluntários no Projeto de Tradução Aberta da TED.

iTunes U
apple.com/education/itunes-u
Baixe ou crie aulas para iPod, iPhone ou iPad.

Wikiversidade
pt.wikiversity.org/
Recursos educativos e comunidades de aprendizagem colaborativa da Wikimedia Foundation.

Telecurso
telecurso.org.br
Tecnologia educacional que oferece escolaridade básica de qualidade.

 

 

 

 

 

Seu problema pode ser gota

Gota_artigoO fato que mais me impressionou durante a edição do artigo “Inchaço, dor & inflamação”, publicado na edição de março da revista Seleções, foi a frequência com que pacientes que sofrem de gota costumam passar muito tempo sem receber o diagnóstico correto e são tratados pelos ortopedistas que procuram (após desconfiar que seus problemas sejam ortopédicos) com a imobilização de membros, a prescrição de anti-inflamatórios etc., sem que isso resolva o problema. Com a ajuda de médicos especialistas, incluindo o Dr. Geraldo Castelar, professor associado da disciplina de reumatologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), nós compilamos as informações mais importantes a respeito da doença. Espero que o artigo possa esclarecer as dúvidas que você tem e outras que nem sabia que tinha. Afinal de contas, você pode não saber, mas seu problema pode ser gota. Eis o artigo na íntegra:

 

 

Inchaço, dor & inflamação
A incidência de gota está aumentando, mas novas pesquisas dão ajuda aos pacientes

Por Anne Mullens, com reportagem adicional de Renata Pettengill

Em 2002, o servidor público brasiliense Luciano Augusto Martins, então com 26 anos, levava a filha recém-nascida à casa da mãe quando sentiu uma dor no tornozelo direito que o impediu de subir as escadas da casa. Ele foi levado ao hospital e teve a perna engessada, pois os médicos suspeitaram de ruptura de ligamentos. Um ano e meio se passou e Luciano não só continuava a sentir dores no tornozelo, como também começou a sofrer episódios de inchaço, vermelhidão e dor nas articulações das mãos e do cotovelo, até que um dia um exame de sangue indicou níveis de ácido úrico altos. Seu problema era gota. Desde então ele controla a doença com medicamentos.

• Aos 29 anos, o engenheiro carioca João José da Silva acordou e não conseguiu pisar no chão, tamanha a dor que sentia no pé esquerdo. Ele procurou um ortopedista, que, após os exames de raios x se mostrarem normais, presumiu tratar-se de torção, e imobilizou a perna. A dor diminuiu, mas não passou. Dias depois João José foi ao cardiologista para uma consulta funcional periódica, e este lhe fez um pedido de exame de sangue. Não deu outra: o ácido úrico estava alto. O cardiologista fez o diagnóstico de gota e prescreveu doses diárias de alopurinol, que João José toma até hoje, aos 69 anos, e nunca mais teve uma crise.

• O serventuário da Justiça Rubens José de Siqueira Terra Campos, aos 40 anos, precisou ficar uns dias afastado do trabalho em Cabo Frio por causa de uma inflamação no tornozelo. O ortopedista que o atendeu lhe prescreveu um anti-inflamatório e engessou sua perna. Após dez dias a dor havia melhorado e o gesso foi removido, mas três dias depois ela voltou. Rubens resolveu procurar um clínico geral que, após exames completos, constatou que o problema de Rubens também era gota. A crise passou após a ingestão de um medicamento à base de colchicina. A partir desse episódio, a doença só se manifesta quando Rubens para de tomar o remédio e ingere alimentos contraindicados em caso de gota ou se excede na ingestão de cerveja.

Luciano, João José e Rubens são apenas três dos milhares de pessoas com gota no Brasil. Em cerca de 50% dos casos, a doença começa no dedão do pé. Embora muitas pessoas apresentem nível elevado de ácido úrico no sangue, apenas algumas, cerca de 20%, desenvolvem gota. Durante uma crise aguda, geralmente iniciada da noite para o dia, a articulação acometida torna-se muito dolorida, além de ficar vermelha, quente e inchada. “Muitos pacientes relatam que até o peso do lençol pode se tornar insuportável”, diz o Dr. Geraldo Castelar, professor associado da disciplina de reumatologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). Não admira: na crise de gota, em nível microscópico, milhares de cristais minúsculos de ácido úrico, afiados como agulhas, enchem a articulação, tão irritantes e dolorosos quanto cacos de vidro. Com o tempo, se o nível elevado de ácido úrico no sangue não for tratado, as crises de gota se tornarão cada vez mais frequentes, espalhando-se para outras articulações e podendo provocar lesões irreversíveis nas juntas acometidas.

Embora a gota ataque principalmente homens acima dos 40 anos – com o quádruplo da probabilidade das mulheres com menos de 65 –, depois da menopausa a diferença se reduz e as mulheres ficam mais suscetíveis.

Quem sofre de gota está em ótima companhia. Essa doença antiga e debilitante, uma das formas mais comuns de artrite, já foi chamada de Doença dos Reis e fez sofrer algumas pessoas famosas no decorrer dos séculos, como Henrique VIII, Isaac Newton, Leonardo da Vinci, Charles Darwin e muitos outros.

No entanto, hoje a gota é uma doença das massas. Estima-se que de 1% a 2% dos habitantes de países ocidentais sejam afetados; além disso, a incidência de gota dobrou nos últimos 20 anos, provavelmente devido à epidemia crescente de obesidade e à alimentação moderna com excesso de carne.
“A gota é um problema de saúde crescente no mundo desenvolvido. Os pacientes têm dor significativa, limitação de atividade e redução da qualidade de vida“, diz a Dra. Francisca Sivera, reumatologista do Hospital Geral Universitário de Elda, na Espanha. Mas, segundo ela, embora o diagnóstico e o tratamento estejam bem estabelecidos há pelo menos duas décadas, até 80% dos pacientes com gota não recebem tratamento adequado.

A Dra. Sivera foi a principal autora de um artigo importantíssimo de 2013 que especificou um conjunto de recomendações multinacionais baseadas em evidências para o manejo e o tratamento da gota. O chamado “Projeto 3E” (sigla em inglês de Evidence, Expertise, Exchange, ou comprovação, especialização e intercâmbio) foi encabeçado pela professora Désirée van der Heijde, dos Países Baixos. As recomendações foram endossadas por um total de 474 reumatologistas especializados em gota de 14 países, incluindo o Brasil, que contou com a participação do Dr. Geraldo Castelar.

Prevenção, tratamento e cuidados:

1. Evite a primeira crise de gota. Todos produzimos ácido úrico, e a maior parte dele é eliminada pelos rins. Quem tem gota produz ácido úrico demais ou os rins não eliminam o suficiente. A probabilidade de ter a doença é maior para alguém que tem ou teve um caso de gota na família. Mas é possível melhorar a probabilidade de não a contrair evitando o excesso de peso e controlando a ingestão de alguns alimentos e bebidas, como os que se seguem:
Alimentos ricos em purina. A purina é um composto natural que se converte em ácido úrico no organismo. A alimentação rica em carne vermelha, miúdos e frutos do mar está associada ao nível elevado de uratos no sangue.
Bebidas alcoólicas, principalmente cerveja e destilados. O consumo deveria ser reduzido. A desidratação pode provocar uma crise, portanto é preciso beber uns dois litros de água por dia.
Refrigerantes com frutose. Um estudo encabeçado pelo Dr. Hyon Choi, professor de reumatologia na Escola de Medicina da Universidade de Boston, constatou que o consumo de grande quantidade de frutose, principalmente sob a forma de refrigerantes, está fortemente associado ao aumento do risco de gota.

2. Como a gota é diagnosticada. Embora muitos reumatologistas acreditem que podem diagnosticar a gota apenas olhando uma articulação vermelha, inchada e dolorida, e embora esse sintoma, combinado a um exame de sangue que revele nível de urato sérico superior a 6,8 mg/dL (0,4 mmol/L), seja forte indício de gota, as recomendações multinacionais afirmam que, para diagnosticar a gota de forma definitiva, o médico deve pesquisar a presença de cristais de ácido úrico no líquido sinovial dos pacientes com artrite e suspeita de gota. “Essa é uma das poucas doenças que podemos diagnosticar no consultório. Aspiramos a articulação, olhamos no microscópio e lá estão os cristais“, diz o Dr. Christopher Burns, reumatologista da Escola de Medicina de Dartmouth, nos Estados Unidos.

3. Tratamento da crise aguda. A maioria das crises de gota passa em três a sete dias, mas a dor e o inchaço podem ser tratados com analgésicos e anti-inflamatórios não esteroides. O medicamento colchicina, derivado do açafrão-do-prado, é usado há séculos para tratar crises de gota e ainda é eficaz. Corticosteroides como a prednisona também são úteis.

4. Busca de outras doenças. Segundo as recomendações, a presença de gota é um alerta para problemas renais, diabetes e cardiopatias. Os pacientes com gota têm o quádruplo da probabilidade de morrer de doença renal quando comparados aos que não a têm. É preciso averiguar a função renal e fazer exames para verificar fatores de risco, como diabetes e doença cardiovascular.

5. Baixar o nível de ácido úrico. A maioria dos pacientes que sofreram uma primeira crise de gota terão uma segunda crise nos dois primeiros anos da doença. Com o passar do tempo, a menos que o nível de ácido úrico no sangue seja controlado, o intervalo entre as crises será cada vez menor. A primeira linha de tratamento medicamentoso é o alopurinol, que reduz a produção de ácido úrico pelo organismo. O alopurinol tem se mostrado eficaz há quase 40 anos. A maioria dos pacientes gotosos necessita tomar esta medicação pelo resto da vida. Cerca de 2% dos pacientes, em geral no início do tratamento, pode apresentar reação alérgica. Alguns casos raros podem levar ao óbito. Alternativamente, caso o paciente não tenha histórico de cálculo renal, ele pode ser tratado com um medicamento que aumenta a eliminacão renal de ácido úrico, a benzbromarona. A terapia com alopurinol deve começar com 100 mg por dia e ir aumentando a dose aos poucos, 50 ou 100 mg por vez, para garantir que a substância é bem tolerada, até o exame de sangue mostrar um nível abaixo de 6 mg/dL (0,36 mmol/L). “Doses baixas são ineficazes, deixam os pacientes em risco de sofrer efeitos colaterais e sem o benefício de dissolver os cristais”, diz a Dra. Sivera. Depois de começar o tratamento, os pacientes precisam fazer pelo menos um exame de sangue para ter certeza de que a meta do nível sérico foi atingida.

6. Tratamento de tofos. Com o passar dos anos, o nível elevado e não tratado de ácido úrico pode provocar acúmulos de cristais em tecidos e articulações, conhecidos como tofos. Além de interferirem na estética, os tofos são capazes de destruir a articulação, comprometendo sua função, e comprimir nervos. Para dissolver os tofos, os especialistas recomendam a terapia para baixar o nível de ácido úrico até a meta de 5 mg/dL (0,3 mmol/L), o que apressa a redução dos tofos. Só se considera a cirurgia nos casos mais graves.

7. Não trate o nível elevado e assintomático de uratos. Há quem tenha nível elevado de ácido úrico no exame de sangue sem nunca ter sofrido uma crise de gota, eliminado um cálculo renal e nem apresentado sinais de tofos. Essas pessoas devem ser orientadas a reduzir o nível de ácido úrico com alimentação e exercícios, mas não precisam começar o tratamento medicamentoso. “Hoje há tratamentos muito eficazes. Ninguém precisa sofrer crises recorrentes de gota. Caso sofram, devem procurar um especialista“, diz o Dr. Burns.

Parabéns, Rio de Janeiro!

Rio de JaneiroParabéns, Rio de Janeiro! No aniversário da Cidade Maravilhosa, que tal celebrar a data ludicamente? Vamos homenagear este que é o lar dos cariocas da gema (e de tantos outros que vieram de fora, se apaixonaram perdidamente por suas belezas e o adotaram) testando seus conhecimentos históricos e geográficos básicos? Vejamos quantas das dez perguntas você consegue responder sem pesquisar. Vamos lá?

1 – Em que ano foi fundado o Rio de Janeiro?
a) 1556
b) 1565
c) 1655

2 – Quem fundou a cidade?
a) Cândido Mendes
b) Veiga de Almeida
c) Estácio de Sá

3 – O que movimentou a vida dos cariocas em 8 de março de 1808?
a) a chegada da Família Real
b) a Revolta da Vacina
c) a Proclamação da República

4 – Como se chamava a Avenida Rio Branco, no Centro, quando de sua abertura?
a) Avenida Marechal Floriano
b) Avenida Brasil
c) Avenida Central

5- Os Arcos da Lapa sempre serviram como viaduto para os bondes de Santa Tereza?
a) sim, foram construídos com esse propósito
b) não, eles eram só uma peça arquitetônica decorativa
c) não, eram originalmente um aqueduto

6 – Em que bairro carioca ficou a sede do poder executivo brasileiro de 1897 a 1960?
a) Catete (Palácio do Catete)
b) Laranjeiras (Palácio das Laranjeiras)
c) Botafogo (Palácio de Botafogo)

7 – Em que ano o Rio de Janeiro foi sede dos Jogos Pan-Americanos?
a) 1997
b) 2007
c) 1987

8 - Em 1 de julho de 2012, a paisagem urbana da cidade do Rio de Janeiro foi elevada pela UNESCO à categoria de:
a) Patrimônio Social da Humanidade
b) Patrimônio Cultural da Humanidade
c) Patrimônio Paisagístico da Humanidade

9 – O Bondinho do Pão de Açúcar liga três pontos. Quais são eles?
a) Praia Vermelha, Morro da Urca e Morro do Pão de Açúcar
b) Praia da Urca, Morro da Urca e Morro do Pão de Açúcar
c) Morro Cara de Cão, Morro da Urca e Morro do Pão de Açúcar

10 – Quantos metros tem a estátua do Cristo Redentor (só a estátua, sem contar o pedestal)?
a) 32
b) 38
c) 30

 

Respostas: 1-b; 2-c; 3-a; 4-c; 5-c; 6-a; 7-b; 8-b; 9-a; 10-c

Seus filhos vão gostar de ler

seus filhos vao gostar de ler

Se seus filhos ainda não gostam de ler, não se desespere: mais cedo ou mais tarde, o interesse pela leitura virá naturalmente. No entanto, se você não está conseguindo conter a ansiedade e prefere lhes dar uma “ajudinha”, experimente uma (ou mais) das alternativas abaixo. Depois delas, certamente seus filhos vão gostar de ler:

1. Comece a ler um livro em voz alta para a criança até chegar ao ponto alto da história. Nesse momento, interrompa a leitura, saia e deixe o livro na mão da dela. A chance é grande de que a curiosidade pelo que vem depois a motive a continuar sozinha.

2. Histórias em quadrinhos são um excelente ponto de partida para criar leitores vorazes. Espalhe revistinhas pela casa, de gêneros os mais variados: histórias de super-heróis, mangás japoneses, Turma da Mônica… vale comprar pelo menos um de cada no início. Um deles há de “seduzir” sua criança. Quando isso acontecer, concentre a compra das revistinhas naquele gênero até que ela demonstre interesse por outro.

3. O exemplo, em grande parte dos casos, é o melhor remédio. Leia muito – seus livros (ou quadrinhos) –, para você mesmo, em silêncio, e dentro do campo de visão da criança. Se ela vir a leitura como um hábito dentro de casa, será naturalmente contagiada.

4. Se você possuir um smartphone ou tablet, baixe ebooks ou aplicativos desenvolvidos com base em livros. Em geral, eles possuem interatividades capazes de hipnotizar a criança e fazê-la passar horas em contato com a língua falada e escrita. (É a tecnologia a serviço da leitura.)

5. Leve crianças pequenas a eventos em que haja contadores de histórias. Seja ao ar livre, ou em livrarias (dentro ou fora de shopping centers), essa é uma atividade que tem o poder de fascinar os pequenos, podendo até envolver sua participação. Depois, ao entrar em casa, sugira que a criança conte a história do jeito dela, usando os recursos que tiver disponíveis. A diversão será tanta que você poderá propor a ela que leia uma nova história todo dia e a conte para você naquele mesmo estilo.

6. A hora de dormir é o momento ideal para cultivar a prática da leitura porque, acima de tudo, permite que vocês passem um tempo de qualidade juntos. Leia para crianças pequenas e deixe que crianças maiores leiam para você. O prazer que elas sentirão ao vivenciar esse instante precioso na sua companhia criará memórias valiosas da infância e aumentará a paixão delas pelas letras no futuro.

7. No caso de crianças maiores, experimente comprar versões recontadas e reduzidas de clássicos da literatura. Mais tarde, invista na versão integral, principalmente daqueles títulos pelos quais elas mostrarem maior interesse.

8. Muita gente preferiria que os filhos só se interessassem pela chamada literatura de qualidade, em vez da muitas vezes malfadada literatura de consumo, como os best-sellers, mas essas pessoas precisam ter em mente que uma coisa puxa a outra. No meio da história daquele livro que “todos os meus amigos estão lendo” pode haver referências que levem a outros. O importante é aumentar a exposição à leitura, e um texto “mais fácil” pode atrair os mais preguiçosos e resistentes. A escolha literária de seus filhos tenderá a ficar mais refinada com o tempo se o hábito de ler estiver “no sangue” deles.

9. Descreva em detalhes para seus filhos a emoção que você sentiu ao ler determinado livro na infância ou na adolescência. Isso também irá contagiá-los.

10. Por fim, certifique-se de incluir pelo menos um livro nos presentes que você vai dar para a criança ou o adolescente em seu aniversário, no Dia da Criança e no Natal. (Como diz o ditado, de grão em grão, a galinha enche o papo…)

Muito boa sorte em sua empreitada e boas leituras :)

Crianças

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