Deixe de ser workaholic: organize-se e trabalhe menos

mundo-melhor-workaholic-blog-selecoesTodo mundo conhece a fama dos japoneses de trabalhar demais, certo? Apesar de muita gente achar que essa é uma boa característica, algumas vezes esse comportamento acaba resultando em doenças… e até em morte. E no Japão é tão comum as pessoas morrerem (ou se suicidarem) de tanto trabalhar que eles até deram um nome para isso: karoushi é o termo que se usa para identificar “morte causada por excesso de trabalho”.

E o índice de suicídios no país está altamente ligado a isso. O medo de perder o emprego, o medo do fracasso profissional e a pressão exigida pela produtividade são as maiores causas para o suicídio de jovens na faixa dos 20 aos 29 anos. Bizarro! :(

Qual não foi minha surpresa ao descobrir que não são os japoneses a população que mais trabalha no mundo. De acordo com um levantamento da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE – órgão da ONU), o Japão ocupa o 2º lugar no ranking, com 9 horas de trabalho por dia, e fica atrás do México, com 9,54 horas. O Brasil nem aparece nas dez primeiras posições, então, não se preocupe: tem gente muito pior que você.

Para não ter o fim como o dos japoneses, vamos fazer um testezinho para ver se você é mesmo um workaholic:

  • Você só fala de trabalho?
  • Trabalha mais de 8 horas por dia (na empresa e em casa)?
  • Sonha com o trabalho ou costuma acordar no meio da noite?
  • Leva trabalho para casa e fica o tempo todo conectado?
  • Fica preocupado se deixar algo pendente para o dia seguinte?
  • Dorme mal e tem alterações de humor?
  • É geralmente o último a sair da empresa?
  • Quando está prestes a dormir, faz uma lista mental do que precisa fazer no dia seguinte?

Se respondeu sim a todas as questões, você pode não ser workaholic, mas tem uma alta tendência e está no caminho “certo” para isso. Eu, como boa descendente de japoneses, é claro que não poderia fugir à genética: respondi positivamente a quase todas as perguntas acima. E isso não é bom. Mas tem solução!

Acontece que o workaholic não é só a pessoa que precisa trabalhar porque gosta, que deseja de alguma forma aumentar o orçamento, adiantar as tarefas ou se sobressair no emprego. O workaholic é um viciado: entra num ciclo e não consegue sair dele; é motivado a trabalhar, mas isso não quer dizer que esteja plenamente satisfeito com o que faz. Por causa do vício, o workaholic perde a vida social (e não vale apelar para as redes sociais!), torna-se um pai/mãe/amigo/cônjuge ausente e sacrifica as relações pessoais.

mundo-melhor-workaholic-dinheiroTudo bem que existem muitos casos de pessoas que trabalham tanto assim por necessidade, seja ela financeira, seja para alcançar pontos com o chefe. No entanto, a competição e o esforço podem ter um preço alto, como o desenvolvimento de baixa autoestima, isolamento, ansiedade, estresse, mau humor, agressividade e insônia, problemas que podem afetar gravemente a saúde, evoluindo para quadros como depressão, obesidade e doenças cardiovasculares.

O workaholic também vê no trabalho um refúgio para seus problemas pessoais, questões que não quer ou não consegue resolver. Um forte indício de que este indivíduo se ausenta de sua própria vida é a constante reclamação de familiares e amigos, que alegam não passarem mais momentos agradáveis na companhia de quem trabalha muito. Se você se identificou com essa descrição, faça uma autoanálise e pense no que pode melhorar em sua vida e na sua maneira de enfrentar problemas. Aí vão algumas sugestões:

Faça uma gestão do tempo
Dedique uma parte do dia para gerenciar compromissos e distribuir as tarefas de acordo com o tempo que você tem disponível. Assim, você não vai se sentir forçado a realizar mil coisas em apenas 8 horas de trabalho. Priorize atividades mais urgentes e não ache que sempre terá tempo de fazer tudo.

Ponha o trabalho no devido lugar
O estresse, um ladrão do sono, alcançou proporções inacreditáveis no Canadá – que, aliás, ocupa a 4ª posição no ranking dos países que mais trabalham. O local de trabalho não tem mais limites físicos: mais da metade dos profissionais canadenses leva trabalho para casa, 69% checam o e-mail do trabalho fora do expediente e 29% mantêm o celular ligado dia e noite. Estressados, 44% relataram que acabam descontando na família. Não faça isso. A família, os amigos e as atividades de lazer são os melhores amortecedores para o workaholic.

mundo-melhor-workaholic-bateriaControle os equipamentos eletrônicos
Ter acesso a informações o tempo todo gerou um efeito nocivo no nosso descanso, já que não conseguimos nos desvincular dessa corrente. As inovações tecnológicas, em vez de nos darem mais tempo para o lazer, acabam fazendo com que seja mais fácil trabalhar o tempo todo, gerando uma impressão artificial de urgência. Não precisamos abandonar tudo por causa do estresse, mas é preciso ter controle. Responda aos e-mails três vezes por dia, e não a cada meia hora; para isso, desprograme o alerta de entrada de um novo e-mail. Mantenha-se o mais afastado possível de celulares e computadores depois das 18 horas. A exposição à luz do monitor ou do celular antes de dormir é suficiente para reajustar todo o seu ciclo de sono e vigília – e adiar o início do sono em cerca de três horas!

Não fique até tarde no trabalho
Se você acha que deve ficar até tarde no trabalho para cumprir as tarefas, terá dificuldades para dormir. Procure ir para casa em horários razoáveis. É melhor dormir, voltar no dia seguinte e trabalhar mais de manhã, quando estiver descansado. Após uma boa noite de sono, sua capacidade de concentração aumenta e com isso você rende mais.

Fique atento e não abandone a sua vida por causa do trabalho. É triste, mas arrependimento tardio não fará o tempo voltar. :)

Leitora voraz, beatlemaníaca e cinéfila. Coleciona guardanapos estampados, cartões-postais e canecas. Ama viagem no tempo, zumbis, cheiro de chuva, sorvete derretido e histórias de suspense. Tenta convencer todo mundo de que tem uma bagunça organizada em casa. E é a mais pura verdade!