Gatos recém-nascidos: cuidados e dicas

gatos recém-nascidosComecemos pelo começo: é importante frisar que a castração ou esterilização é um elemento-chave da adoção responsável. Essa cirurgia, que retira parte dos órgãos sexuais, não apenas previne crias indesejadas e possível abandono de novos animais na rua como inibe comportamento dominante e demarcação de território, diminui diversos riscos de saúde, aumenta a longevidade e auxilia na criação indoor – sem acesso à rua –, embora não torne dispensável a instalação de telas. Isso posto, aí vão algumas dicas para o cuidado com gatos recém-nascidos.

Alimentação

O índice de mortalidade de gatinhos neonatos é alto. O desmame natural só aconteceria a partir da quarta semana de vida do animal, sendo recomendável que apenas seja afastado da mãe após os 60 dias.  Até serem capazes de se alimentar sozinhos, os filhotes são extremamente frágeis. Portanto, caso o gatinho seja órfão, tenha sido rejeitado pela mãe ou abandonado pelo tutor dela, uma primeira possibilidade é procurar, junto a veterinários e protetores, por uma gata lactante que possa amamentá-lo ou doar leite para ele. Caso isso não seja viável, o filhote deve ser alimentado com um suplemento industrializado substituto do leite materno (Pet Milk Vetnil e Support Milk Cat são produtos disponíveis no mercado brasileiro) ou com uma fórmula caseira, como a indicada pela veterinária Sylvia Angélico, especializada em nutrição caseira:

  • 2 xícaras de leite integral (se possível, de cabra);
  • 2 ovos grandes;
  • 5 colheres de chá de pó de proteína (de fontes animais);
  • 1/8 de colher de chá de pó de casca de ovos;
  • 2-3 gotas de limão;
  • e o equivalente à dosagem de um ou dois dias de complexo vitamínico para um gato adulto, em pó ou em comprimido, porém triturado.

Nas primeiras duas semanas de vida, o gatinho deve ser alimentado com o substituto, industrializado ou caseiro, do leite materno a cada duas horas, por meio de mamadeira específica ou seringa sem agulha. Jamais posicione o animal de barriga para cima quando o alimentar, ou ele pode aspirar o líquido para os pulmões. A partir da terceira semana, o filhote pode mamar com menos frequência (ao menos duas vezes ao dia) e ter à disposição um pires com o substituto de leite, para que comece a se acostumar a beber sozinho. Já a partir da quarta semana, é possível introduzir a dieta semissólida: ração seca umedecida no substituto de leite ou papinha de desmame.

Eliminação de dejetos

Durante as primeiras semanas de vida de um gato, a mãe lambe sua região genital e anal para estimular a eliminação de urina e fezes. Sem isso, é necessário fazer o mesmo com um pano molhado ou gaze úmida, de preferência com água morna, massageando suavemente do tórax ao baixo ventre e região genital e anal. Caso o animal passe 48h sem defecar, deve ser levado a um veterinário.

Temperatura

Nos primeiros dias de vida, o filhote não consegue regular sua temperatura e não mama a não ser que esteja aquecido. Por isso, a mãe passa a maior parte do tempo no “ninho” com seus filhotes, aquecendo-os com sua temperatura corporal. Caso precise reproduzir isso artificialmente, enrole uma bolsa de água quente em uma toalha ou manta, com cuidado para não queimar o filhote, e observe sua reação. Caso ele se afaste, está quente demais.

Ambiente controlado

Uma caixa de sapato pode acomodar bem o gatinho. É importante que ele fique num lugar seco, quentinho, não exposto a intempéries, mas ventilado. Outros animais, possíveis predadores, não devem ter acesso a ele. Um filhote se movimenta de forma insegura e ainda não apresenta o reflexo aéreo ou de endireitamento, que mais tarde lhe proporcionará a habilidade de cair de pé. Além disso, sua constituição ainda é muito cartilaginosa, e o impacto de uma queda pode ser mortal. Portanto, evite, nesse momento, que ele transite por móveis elevados.

Acompanhamento veterinário

Exame de fezes, vermifugação, vacinação, controle de peso… Esses são apenas alguns dos cuidados que você deverá ter com o gatinho muito em breve. Quanto antes começar o acompanhamento veterinário, melhor. Assim, você recebe a orientação adequada para garantir o crescimento saudável do animal.

Apaixonada pela literatura, pelo objeto livro e por cada etapa de sua produção, cursa graduação em Letras na UERJ, onde promove iniciativas de capacitação para o mercado editorial para aqueles que compartilham do mesmo sonho: viver de fazer livro.